Estamos tão acostumados a utilizar o Google e seus produtos para tantas tarefas digitais que nem paramos para pensar o quanto compartilhamos com essa gigantesca multinacional.

Enviamos documentos, fotos e números confidenciais por Gmail, colocamos nosso endereço no Google Maps para descobrir o melhor caminho. Permitimos que ele tenha acesso a nossa localização, emails e telefones de todos nossos queridos amigos e familiares, salvamos planilhas com nossas despesas no Google Docs, e em breve estaremos acostumados a pagar contas com o Google Wallet.

Nem quero entrar na discussão do Google Glass que essa lista já está assustadora sem precisar envolvê-lo.

É rapaziada… Até onde vai nossa confiança no Google?

Dá uma baita ansiedade só de pensar o quanto ele sabe sobre a gente. E não é o mesmo nível de sabedoria do menino Facebook. Não é se você curtiu aquela foto ou não, se você é fã dessa marca ou da concorrente, ou as suas fotos das férias na Disney. É coisa mais profunda… São as cópias do imposto de renda, ou aquele email secreto que você nunca teve coragem de mandar.

No mundo digital, estamos pelados. Esse sentimento de vulnerabilidade foi o tema escolhido pela artista Xuedi Chen em uma colaboração com o brasileiro Pedro Oliveira. Xuedi criou uma peça futurística que funciona como uma constante lembrança do quanto nos expomos para o Google. Xpose é uma mistura de arte e tecnologia que levanta um ponto interessante e muitas vezes esquecido.

O tomara-que-caia fashionista foi criado a partir de um algoritmo, que transformou os dados dos lugares mais visitados pela artista, no design da roupa.

Além disso, a escultura de vestir funciona também como um camaleão que age contra a sua privacidade. Ela recebe atualizações do seu celular toda vez que a pessoa usa uma das ferramentas do Google e responde em tempo real.

Por exemplo, quando ela abre um aplicativo para checar o tempo, lê seus emails, ou faz uma busca no Google, o celular se comunica com a roupa, revelando sua pele. Ou seja, quanto mais a pessoa usa o Google, mais transparente o tomara-que-caia fica, expondo a artista não somente ao Google, mas também a todos a sua volta.

Se cada vez que você checasse seu email ou procurasse um endereço sua roupa ficasse transparente, você ainda usaria o Google com a mesma frequência?

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