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Edição de vídeo básica: 4 dicas para se fazer corte invisível

Em teoria de edição existem basicamente dois tipos de corte: o visível e o invisível. O corte visível (que é bastante usado em vídeos de música e filmes experimentais) é facilmente percebido, enquanto o corte invisível é suave, com transições de uma cena à outra tão sutis que não distraem o espectador da história que está sendo contada.

Cortes invisíveis são bastante utilizados na edição de filmes de longa-metragem com o objetivo de passar credibilidade e consistência, peças fundamentais para se criar um vínculo emocional com a audiência. Neste artigo, iremos mostrar quatro dicas essenciais para se fazer cortes invisíveis, e te oferecer ferramentas super úteis para se contar uma história sem que se perca a atenção do espectador. 

Dica número 1: cortar no movimento do personagem

Quase todos os clipes no vídeo acima mostram uma pessoa diferente. O desafio é conectar tais histórias individuais em uma narrativa que seja o máximo coesiva possível. Nas três tomadas da abertura, unimos os movimentos de cada um dos personagens - criando um senso de continuidade de um clipe à outro - ao cortar durante o movimento de caminhar ou correr.

Perceba que o primeiro corte, ao final do clipe número 1, é feito enquanto o pé do menino está no ar e não no chão, e que no clipe 3 o garoto está prestes a mover sua mão para cima quando a cena é cortada. Nossos olhos seguem o movimento. Quando não há movimento a ser seguido, a atenção do espectador pode se desviar brevemente da ação, o que torna mais provável que o mesmo se desconcentre com a transição para a próxima cena.

Utilizamos a mesma técnica - de cortar no movimento do personagem principal - quando selecionamos a melhor transição do clipe 14 para o 15: o momento em que a mulher acaba de erguer sua cabeça para olhar em direção à câmera, o sol brilhando sobre a cabeça do homem. 

Dica número 2: alinhar movimentos de câmera

Cortar entre movimentos de câmera dinâmicos, assim como cortar durante movimentos das pessoas nos vídeos, também cria uma transição suave. Repare como o pulo de uma cena à outra não parece forçado nesta edição do clipe 15 ao 16 - um bom resultado de se combinar um movimento de câmera similar nas duas sequências quando se faz o corte.  

Dica número 3: seguir a direção da ação 

Coordenar a direção da ação em dois vídeos (em que sentido os personagens estão correndo/caminhando/movendo-se) é uma ótima maneira de unir duas cenas, além de ajudar na coesão da narrativa. Veja como a transição dos clipes 2 a 4 nessa versão abaixo não é ideal, já que os garotos estão indo em direções opostas.

Ao se inverter o clipe 3 na horizontal - de maneira que o garoto passa a correr da esquerda para a direita - a ligação entre os três clipes torna-se mais forte e consistente sob os olhos de quem está assistindo (fazendo, assim, a história mais convincente e mais fácil de ser seguida).

Dica número 4: utilizar cenas de definição para formar pontes entre tomadas

Finalmente, você poderá notar que há uma boa quantidade de cenas nesse vídeo (5, 8, 11, 13 e 19) que servem para definir um novo ambiente. Estes momentos de transição funcionam para estabelecer "capítulos" na história, mantendo um ritmo geral e dando ao espectador um respiro entre cenas de ação. Ao mesmo tempo que é divertido compilar um número grande de clipes de alta intensidade em uma sequência, cenas de definição como estas citadas ajudam a audiência a compreender a narrativa em torno da ação, estabelecendo uma visão mais ampla do mundo em que tais histórias acontecem.

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